Era uma vez uma Renata que não comia nada, ou melhor, quase nada. Vivia basicamente de pão, água, laranja, verduras, legumes, pizza e azeitona. Essa Renata era chata e enjoada, até que um dia ela resolveu passar uns tempos longe do ninho, mal sabia que a partir daquela decisão sua alimentação nunca mais seria a mesma. Lá, ela não teve escolhas, comeu dias seguidos o mesmo “prato” e não tinha o direito de repetir caso estivesse bom, nem de deixar de comer caso estivesse ruim. Depois de ter comido carne de cavalo saiu correndo e chorando pediu perdão para sua mãe via Embratel, jurou que nunca mais reclamaria de qualquer tipo de comida que ela fizesse e claro que comeria qualquer coisa que ela preparasse. Ainda dormiu várias noites com fome. Coitada! Pensando melhor, coitada nada. Bem-feito pra ela que sempre foi ingrata, egoísta e nojenta, mereceu esse tratamento de exército.
Sorte que já se passaram alguns anos e hoje a mocinha aqui come quase de tudo. Claro, que tenho minhas preferências, mas estou muito menos critica e fresca.
Aprendi a comer e gostar de comidas do mundo. Comeria sushi todos os dias!
Algumas coisas que eu não gostava eu nem havia experimentado, simplesmente “não comia e não gostava”, como o caso do mais “odiado” - o jiló, todo mundo falava que era ruim e eu ia no embalo, hoje adoro, mas não comeria todos os dias.
Se puder passar a vez no fígado, não faço cerimônia.
Quanto ao mamão e ao queijo ralado (o do saquinho), eu ainda preciso aprimorar o paladar e o mal estar por causa do cheiro.
Continuo adorando verduras, legumes, azeitona (de preferência “todas” que vem na pizza) e o pão. Ah, o pão merece um parágrafo separado.
“Acho que vou casar com o pãozinho...”. Só não “casei” ainda, pois fico na dúvida se não devo escolher a azeitona... (rs).
Não lembro quando comecei a falar assim, mas sei que os da família e chegados estão fartos de ouvir esse meu desejo antigo de me “comprometer” com o que me faz “feliz”!
Gosto de todos os tipos de pães e amo especialmente o francês, pequenininho com sua casca dourada e miolo branco! Hummm delícia!
Não, delícia não é a marca da manteiga, aliás, não gosto muito de manteiga e nem margarina. Gosto mesmo dele “puro”, mas como o “pão de sal” de qualquer jeito e a qualquer hora.
Acordo quase todos os dias sem humor, durante a semana pego carona com o chefe e chego em Santos quase uma hora antes do expediente começar, passo antes na padaria da Vila Mathias e já peço “o de sempre”, recebo minha dose diária de coragem através do “Bom Diaaa” e do sorriso largo da moça que não sei o nome que me traz um café preto e um pãozinho com pouca manteiga, ela já sabe que não é na chapa.
Não lembro como pedi das primeiras vezes, mas sei que ela nunca deixou de entender.
Confuso?
É que dia desses, era minha vez de fazer o mercado e minha colega de “albergue” pediu para que eu comprasse para ela algumas “médias”, confesso que minha ignorância bairrista perguntou sem fazer média do que se tratava, ela riu e disse que era para eu comprar pãezinhos, mas era para eu pedir “médias” se não o atendente não me entenderia.
Fiz como ela sugeriu e me empolguei na padaria do mercado e pedi várias médias para mim também.
Abri uma brecha na minha dieta noturna de alimentação colorida e natural - nada de fast food, delivery, microondas, freezer, pesticidas ou aditivos químicos, mas agora com algumas tranqueiras do padeiro Joaquim com seus “milagres” para o crescimento da massa, melhor não pensar e abrir exceção para o delicioso cacetinho.
Ops, não estou querendo ser indecorosa, apenas lembrei do apelido do meu “querido” quando o conheci mais ao norte do Brasil! hehehe
Daqui uns tempos espero falar de comida sobre um outro aspecto que ainda é um mistério para mim: sobre eu mesma preparar deliciosos e saudáveis pratos.
Por enquanto vou engatinhando na cozinha ao lado do meu eterno e inseparável companheiro francês mais brasileiro do mundo! :)