quinta-feira, 24 de julho de 2008

O renascimento do Tuiuiú

Uns dias atrás eu encontrei meu irmão na casa de nossos pais e ele contou que na noite anterior tinha tido uma agradável surpresa na casa de nosso tio: assistiu algumas filmagens de festinhas, viagens e encontros da família Marques e agregados de muitos anos atrás. Ele contou muitas de nossas aventuras. Muitas, mas muitas lembranças felizes vieram à tona.

Domingo passado foi o batizado da minha sobrinha. Lindo. Depois da cerimônia teve um churrasco lá “em casa”. Tudo foi ótimo e perfeito. Passei bastante tempo com meu tio, ele contou mais algumas “cenas” acrescidas de muito bom humor e fantasia gordiana! Sensacional.

Quero muito assistir os vários DVDs que deram vida às imagens que mofavam em muitas fitas VHS. Engraçado que a maioria das gravações são do final dos anos 80 e inicio dos 90 e justamente eu vinha tentando me lembrar deste período por outro motivo, já tinha até começado a rabiscar... então lá vou eu misturar abaixo um monte de letras, juntar palavras e tentar montar um post só.

Depois de meu aniversário de 1989 eu era um ser estranho trocando de pele e pensamento.
Eu lia livros infanto-juvenis, mas lia também jornal.
Vivia de vontade de dançar o Ilariê da Xuxa com as mulheres da família nas festinhas, mas morreria de vergonha se fizesse isso.
Preferia ficar atrás de meu tio Gordo e do primo Tuca para aprender cada vez mais sobre rock and roll. Ouvia também Cazuza, Legião Urbana, Raul Seixas...
Sozinha eu ouvia a versão remixada de “Always on my mind” do Pet Shop Boys diariamente para sentir meu coração pulsar junto com as batidas eletrônicas.
Assistia ao Jornal Nacional com meu pai e ouvia atentamente suas opiniões, inclusive sobre política e claro ouvia seu discurso do contra!
Estava empolgada com a “primeira eleição direta após o regime militar”, não sei porquê, afinal faltavam alguns anos para eu ter direito de votar, mas queria opinar!
Na escola teve uma simulação e meu voto foi para o Mario Covas, lá ele ganhou disparado, mas na vida real não foi páreo para o Lula que por sua vez perdeu para o Collor.

Depois da eleição até o dia 15/03/1990 ouvia o Gordo cantar “Quero Collor, vou fugir de casa...”. Eu ficava com raiva duas vezes, primeiro por ele estragar a canção mais tocada desde o ano anterior e segundo porque ele fazia isso para me irritar, pois o presidente “bonitinho” tomava posse. Eu dizia: bela porcaria de eleição... antes a candidatura do Silvio Santos não tivesse sido anulada... Preferia o barbudo... Blábláblá! Ou simplesmente respondia: não enche meu saco... mas ele cantava mais alto ainda!
A partir do dia 16 meu tio parou de cantar e dai só ouvi lamúrias dele, do resto da família e de todo mundo economicamente ativo sobre o novo plano econômico... na verdade as lamúrias eram 90% por causa do confisco e 10% por causa do transtorno de mais uma mudança de moeda. (Das outras medidas eu só soube anos mais tarde na faculdade de administração e nem achei tão ruim assim).

Pouco tempo depois desencanei de política, meu tempo agora era para expressar minha rebeldia através de músicas “barulhentas”!
Eu fazia a 7ª série de manhã e todos os dias depois da escola, sem exceção, eu ia para casa da minha avó, depois do almoço, ajudava minha avó a secar uma pilha de louças, tirava uma soneca, mexia nos LPs do meu tio e depois ia à casa de minha melhor amiga, lá eu fuçava nos discos, nas fitas, nas revistas da irmã dela e ainda levava emprestados os cadernos de letras de músicas para copiar.

Nessa época a MTV já tinha estreado, mas em casa ainda não conseguia sintonizar. Tinha que me contentar com as preciosidades do Clip Trip. Socorro! O apresentador era chato, a vinheta irritante e os clipes eram sempre os mesmos!

À noitinha esperava meu irmão chegar do cursinho com suas novidades. Ele era comportado, mas alimentava minha alminha inquieta, trazia para casa Sepultura, Ramones, The Cult, Rush, Iron Maiden, Metallica, Viper... meu pai sempre pedia para eu baixar o som do quarto que ele queria ver e ouvir TV na sala.
Ele não conseguia entender como eu conseguia estudar com aquela barulheira toda... rs

Depois do Jornal Nacional, minha mãe assistia a novela das 8 e depois meu pai mudava de canal, para ver a novela Pantanal e sempre fazia os mesmos comentários, coisas do tipo: Que lugar lindo! Que paraíso! Que paisagem deslumbrante! Ai como eu queria viver no meio do mato! Ah, eu vou viver no mato logo mais... E minha mãe respondia: vai sozinho! Às vezes eu estava na sala e dava apoio a ela! Não entendia que graça tinha viver isolado do “mundo”, muito menos de ficar vendo tuiuiú pela televisão, ainda mais com aquelas trilhas sonoras que me davam sono. Nas cenas “interessantes” da novela, meu pai mandava eu fechar os olhos. Bah! Eu preferia assistir o Araponga na Globo, achava mais engraçado, afinal se eu era meio rebelde em 1990, era meio débil também...

18 anos depois, uma vida de transformações e acontecimentos com o mundo e com meu serzinho...

Algumas coisas não mudaram muito, como por exemplo, a sandice do Silvio Santos: já que no final dos anos 80 ele não conseguiu se candidatar para tentar governar o país, ele ainda hoje governa como bem entende a grade de programação do SBT.
Se ele respeita ou não seus telespectadores, anunciantes e a classe artística em geral, eu prefiro não palpitar, mas fiquei muito feliz com a decisão do dono do baú em reprisar Pantanal.

Não é todo dia, mas sempre que posso assisto a reprise da novela que meu pai tanto admirava. Hoje entendo perfeitamente os comentários dele. Realmente o lugar é deslumbrante. E eu também queria ir para o meio do mato! Não para viver o resto da vida, mas para conhecer belezas naturais espelhadas pelo Brasil afora. A trama é assim, assim... talvez por eu nunca ter vivido no interior, daqui uns anos posso mudar mais uma vez de opinião. Por hora, a paisagem e a trilha sonora calminha me enchem de felicidade!

Trocando o ritmo e falando ainda sobre “maturidade” e “felicidade”...

Sempre bato na mesma tecla sobre as mudanças que procuro fazer através de novos pensamentos, comportamentos, capacidades, atitudes, valores e crenças em minha vida e etc e tal e todo um blábláblá, só que às vezes não me dou conta de algumas transformações, simplesmente porque ainda não amadureci o suficiente, talvez por ainda não ter mudado de papel “Se meu filho nem nasceu, eu ainda sou o filho” eu ainda não entenda certas atitudes, mas enfim...

Eu ainda não sei o que vou ser quando eu “crescer”, mas sei que não sou mais criança para culpar meus pais e nem ninguém por “tudo”. Nem adianta mais colocar “Rebel Maniac” no último volume afinal não tenho mais 15 anos para me expressar dessa maneira. Nem me aventurar pelo mundo como se tivesse 20 e poucos anos e uma vida inteira pela frente para tomar juízo.
Não sei até que ponto é ruim ou não, mas nunca fui Gabriela “eu nasci assim, eu cresci assim e sou mesmo sim, vou ser sempre assim...”. Eu nunca vou ser assim ou assado! Melhorando ou piorando eu vou mudando para tentar ser feliz.

Uma coisa que venho tentando mudar é procurar não me envolver em discussões desnecessárias, principalmente em meu ambiente doméstico. Mas como é difícil não meter a colher! Em todo lugar os relacionamentos devem ser meio conturbados mesmo, com seus altos e baixos, alegrias e tristezas... as pessoas com suas qualidades e defeitos, surpresas boas e decepções... Acredito que ninguém esta (ainda) 100% livre de conflitos e problemas. Comigo não é diferente, tenho quilos de dilemas internos e provocações externas que me fazem perder o compasso, mas analisando os fatos recentes me dei conta de que minha pousada em um ninho um pouco mais distante me fez ficar provisoriamente distante dos conflitos e problemas alheios, que me afetam claro, mas que não caberia a mim julgá-los, nem soltar (mesmo sem querer) qualquer palpite como se eu fosse a dona da verdade. Difícil, ainda deixo escapar algum comentariozinho meio inflamado quando estou por perto, porém sinto que eu mudei vários graus nesta escala para melhor. Em breve não terei mais uma serra para separar-me da convivência “em família” e não quero voltar a 360º.

Não pretendo ficar como expectadora vendo o circo pegar fogo quando for o caso, estou e estarei disposta a enfrentar o que for preciso para ajudar a apagar qualquer foco de incêndio, mas ainda tenho muito que aprimorar, começando por não soltar mais nenhuma faísca! Grosso modo sei que todos somos farinha do mesmo saco, que temos elos, que sofrimentos são necessários para nossa evolução, que a felicidade está dentro de cada um de nós e mais um monte de outras coisas que eu tenho consciência de serem verdades incontestáveis, mas que ainda não estão efetivamente em minhas praticas.
Sei que não posso exigir que os outros ajam da mesma maneira que eu ajo ou que eu gostaria de agir, nem que elas creiam no que eu creio, e sei também que para ser feliz devo fazer os outros felizes... E como eu devo agir então para ajudar "o outro" visando à felicidade "dele" sem querer egoisticamente me livrar de preocupações e almejar encontrar o meu Pássaro Azul da Felicidade, uma vez que essa tal felicidade encontra-se dentro de mim e não voando por ai? Paradoxal...

Mudar em mim o que eu acho que está errado nos outros seria um bom começo.
Dar valor às coisas simples e agradecer em qualquer circunstância? Também seriam boas práticas .
No auge do conflito respirar mais fundo, desapegar e confiar aos céus também seriam!
E são, mas devo começar praticando uma mudança interna e profunda, unindo e alinhando pensamento, sentimento e vontade para:
* Tornar-me convicta que tenho permissão de promover mudanças nos outros com meu amor sincero através de meus atos e não através de minha lingua solta e visão estreita.
* Empenhar-me em conectar “os outros” a uma sintonia mais paradisíaca, levando a Luz Divina através do Johrei ao maior número de pessoas... e por ai vai...

Felicidade é enxergar um tuiuiú como um "Pássaro Azul" pela TV e dormir em paz! rs

“Quando o homem busca a felicidade procurando-a unicamente na matéria, ela foge de suas mãos”.
Meishu-Sama