segunda-feira, 23 de junho de 2008

Reminiscências empoeiradas

Sempre julguei ter boa memória e tenho, mas tenho alguns fatos registrados em papel e nos últimos tempos, virtualmente.

Aos 12 anos comecei a escrever além das redações da escola, rabiscava no caderninho da Moranguinho com cadeado sobre as novidades e anseios da menina-moça.

Aos 13 adotei uma agenda e passei a registrar diariamente os acontecimentos, as sensações e o que mais viesse a minha cabeça de cabelos enrolados.

Nunca mais parei de escrever meu dia-a-dia, se bem que nos últimos tempos ando bem “relapsa” e não atualizo o blog e não escrevo nem no guardanapo minhas atuais lembranças.

Tenho várias agendas guardadas em casa e alguns blogs perdidos por ai (bem mais superficiais do que as agendinhas, mas tudo bem!), então quando quero “lembrar” de algum fato ou simplesmente fazer uma visita ao passado vou até os registros da pequena Renata Jones.

Sempre gostei de ler também. Sempre mesmo, desde que aprendi a ler a “Caminho Suave”.

De uns anos para cá, adquiri também o hábito de organizar. Agendas, livros, revistas, papéis, músicas, fotos, filmes, documentos e todas as minhas outras quinquilharias estão geralmente arrumadas, ordenadas e guardadas em seus devidos lugares.

Porém de uns dias para cá, minha “vida” andava bem bagunçada. Minha cabeça, minha casa e minhas coisas estavam de pernas para o ar. Muita informação, muitos eventos e pouco tempo.

Sábado passado acordei, mas fiquei enrolando na cama e dai tomei uma decisão bem egoísta: não sair de casa – não atravessar a cidade, não trabalhar, não dedicar, não visitar, não ser útil ao próximo – enquanto não colocasse a casa, a cabeça e o coração em ordem. Depois do café, tentei ligar meu radinho e ele não funcionou, pensei que tivesse pifado, mas não me abalei. Coloquei no DVD player um cd com horas de música e decidi o método para polir tudo: faxina no cafofo!

Limpava, arrumava, trocava quase tudo de lugar, cantava, pensava, refletia, parava um pouco e começava tudo de novo.

Plin-plin: uma hora tomei um susto, ouvi pela “1ª vez” a versão do Coldplay para "Can´t get you out of my head". Nunca tinha prestado atenção ou minha memória que não é mais a mesma? Não conheço muito a Kylie Minogue, mas eu adoro essa música!!! La la la la la la la la...

Uma semana antes, passei mais de quatro horas no Paraíso em companhia de um caro amigo, entre muitas coisas que conversamos falei para ele que em um ano eu simplesmente havia esquecido do que eu trouxe de mais importante na bagagem do Japão, o caminho de minha missão. E relatei a ele, os aprimoramentos que venho tendo e que “coincidentemente” tudo tinha a ver com o tal caminho...

Esse caminho requer uma mudança radical no modo de viver. Para isso, não basta um dia de sábado voltado para meu umbigo. Preciso de muito tempo para colocar a vida e todas as minhas "saúdes" em dia para trilhar este caminho com segurança.

Desde 2000 passei por algumas transformações essenciais e sempre que passei de uma fase para outra, treinava o desapego. Deixava para trás pessoas, papéis, objetos... então decidi dar um pequeno passo: arrumar a estante e desapegar mais uma vez das bugigangas.

Peguei uma folha e comecei a anotar os títulos e os autores dos livros que se salvaram na última mudança de casa. Pensei em talvez vender, talvez emprestar e nunca mais pedir de volta, talvez doar para alguma biblioteca ou instituição, sei lá! Onde quero ir, não precisarei deles. Só não relacionei o primeiro compartimento da estante, pois dos títulos que estão lá, precisarei deles para sempre! Relacionei também os DVDs que ainda não foram arrematados no Mercado Livre... rs

Aproveitei para limpar os livros e checar se não tinha nada perdido neles, encontrei vários marcadores legais, alguns bilhetinhos, o telefone de um nutricionista fofo que conheci ano passado no Tatuapé e que nunca liguei... Mas o que encontrei de mais interessante foi algo meio amarelado no meio de uns gigantes da literatura brasileira.

Achei meu primeiro amor juvenil, o Gustavo Muramatsu e seu diário intitulado “Crescer é Perigoso”.

Como pude esquecer dele no post Japonesidades?

Ele marcou minha vida! Com esse sansei, deixei a série Vaga-Lume para trás, aprendi aos 13 anos a escrever um diário de verdade, soube da existência de drogas e álcool na vida dos adolescentes, li vários palavrões, me identificava com as bandas de rock que ele ouvia, tinha as mesmas angustias e inseguranças... a única diferença entre nós é que ele era um menino espinhento, usava óculos, tinha cabelos lisos e morava numa brochura, mas a nossa vontade de transgressão era a mesma! hahaha. Aprendi com ele algumas referencias a cultura japonesa, alguns hábitos e costumes de sua obassan, como o santuário Butsudam dela... pena que esqueci com o tempo. Sorte que ele continua por perto para eu lembrar!
Ainda “achei” mais uma coisa amarelada. O presente mais antigo que tenho guardado. Por um acaso, é um leque japonês pintado a mão que ganhei de uma tia-avô portuguesa no inicio dos anos 80. Ela faleceu em 1985 e eu gostava tanto dela que resolvi guardar este precioso presente para sempre. Assim como o “Gustavo”, não abrirei mão das duas coisas mais antigas que tenho na estante. Fazem parte de meu patrimônio sentimental!

Como ainda falta bastante tempo para fazer as malas (alguns anos, talvez), vou dar mais vida a eles e aproveitar para colocar outras coisas para “fora”, para embelezar o cafofo e alma, como as duas caligrafias de Meishu-Sama que ganhei no Japão e que ainda estão embrulhadas (não é por relaxo não, é que a “dureza” está fazendo aniversário!).

De resto, ficou tudo limpo, cheiroso e no devido lugar.
Aqui “dentro” o processo é um pouco mais lento, mas está tudo se ajeitando...

Plin-plin final: O meu radinho não pifou, emprestei ele para animar uma festa junina na semana anterior e voltou em outra voltagem ... rs. Ufa, assim posso guardar o cd com suas horas de boa música e outras lembranças amarelas. Durante a sessão de faxinaterapia, ao prestar atenção na música postada anteriormente, quase infartei! Ainda bem, apesar dos apesares, ainda tenho um coração que bate e que apanha! rs