terça-feira, 19 de agosto de 2008

Qual sentido?

Sentimento, sensações, bom senso, entendimento, idéia, significação, orientação, direção, cautela...

Basicamente percebemos o mundo através dos cinco sentidos. Graças à Deus tenho o tato, a audição, a visão, o olfato e o paladar funcionando muito bem, mas como pobre mortal tenho meus limites e logo meu mundo é no máximo do tamanho de um grão de arroz.

Acredito que superior a estes sentidos físicos brutos há outro - o sexto sentido que é algo intangível que conduz a um sentimento de perfeito bem-estar, pode ser quando se inala um perfume delicado, ou quando se ouve uma música harmoniosa, quando se vê algo que deixa os olhos cheios de emoções molhadas, ou quando se come algo que vem acompanhado de um suspiro (não necessariamente o feito de claras de ovos e açúcar...rs), quando sentimos o poder de uma carícia e claro quando vivenciamos um milagre que não pode ser explicado por nenhum outro sentido. Enfim, são tantas “pequenas” coisas que podem tornar nosso mundo tão mais belo e alegre que eu não entendo como ainda me apego a coisas tão sem sentidos!




Felizmente em alguns casos, através de novos rumos venho ampliando meus filtros de percepção (em outra linguagem, evoluindo).


Sentido Norte:


Durante a Grande Marcha assisti a uma palestra sobre Alimentação Natural, daí que recebi um alerta, segundo a nutricionista palestrante “quem come muito pão francês é sinal que está com depressão...” . Que eu adoro pão eu já disse por aqui em abril passado, mas o que percebi é que eu vinha comendo pão além da conta, não que eu tenha engordado para me preocupar, mas é que realmente vinha sentindo um certo distúrbio emocional . Chega de saudades da comida da mama! rs

Bem no meio da semana passada, tive um “compromisso” em São Paulo e acabei dormindo no meu antigo quarto na casa de meus pais. Com tantos problemas e pesadelos tive um ótimo motivo para levantar no dia seguinte de bom-humor: fui acordada com os carinhos da Bia, minha sobrinha está muito fofa e malandra com seus 11 meses e pouco. Eu acredito na evolução das espécies, certeza que essa geração está muito mais avançada! rs


Sentido Sul:

Recentemente tive uma conversa bastante profunda com uma pessoa, sentamos e colocamos para fora o que há meses vínhamos acumulando em nossas gargantas. Treinei a “escutatória”. Ouvi os feedbacks negativos, com vontade de responder, de me justificar pelos “erros”, mas controlei meu ego gazudo. Depois sem ofensas e sem criticas (que não tivessem fundamentos) falei o que devia, ouvi feedbacks positivos e assim evitamos uma situação de litígio e estresse desnecessários. Ao ficar sozinha após esse embate ouvi a música “Viva La Vita” do Coldplay e senti na hora que estaria ancorando esta canção à sensação de alívio. Não deu outra, desde então toda vez que ouço esta música fico me sentindo livre como um pássaro.

Por falar em música, preciso confessar a ti blog que fiquei surpreendentemente feliz domingo passado ao assistir uma parte da apresentação de mais um
Estúdio Coca-Cola Zero na MTV. Apesar de ser “velha” demais para a “banda” e “nova” demais para a “dupla”, adorei ver o Fresno tocando com Chitãozinho e Xororó. O que eles tem em comum? Acho que só as letras meladas! kkk
Não sou muito fã do refrigerante, mas do projeto estou achando sensacional.


Sentido oeste:

Para cada momento especial, eu tinha sempre uma companhia perfumada, que abastecia meu sentido do olfato que perpetuava na memória o cheiro que mal sobrava na embalagem do perfume, do creme, do sabonete...

Para voltar a Londres e lembrar dos sonhos realizados, basta um banho quente com Dove.
Para Bahia, um creme baratinho da Monange para me divertir.
Lembro que a Tarsila vestida de Manacá me acompanhou pelas ruas portenhas e até hoje me faz sentir com uma elegância que eu não costumo ter.
O Frescor de Pitanga lembra de uma Atibaia que não existe mais, mas que ainda mexe com minhas asas inquietas.
Para sentir-me disposta para cumprir missão, ainda uso o que sobrou de um perfume de Bergamota que me acompanhou no Japão.
Para tantas outras lembranças e sensações, mais outros tantos cheiros que tenho sob controle no armário e na cabeça.

... outro dia encontrei alguém que gostei desesperadamente. Uma obsessão eu diria, uma situação que ficou enterrada no passado. Apesar de “curada” eu não queria vê-lo nem saber de sua existência para não correr o risco de me ver entorpecida novamente, mas o “destino” quis que nossos caminhos se cruzassem. Ele sem saída, e sem graça, me deu um oi e um beijo sem emoção no rosto. Eu voltei para meu café e procurei alguma palavra no meu dicionário sentimental para tal momento... procurei, procurei e não achei nada. Depois de 2 ou 3 dias percebi que naquele momento ele não estava usando o “meu” perfume predileto, onde foi parar o Issey? Com ou sem a “poção mágica” ele perdeu completamente o encanto, ele não, eu perdi o encanto por ele graças a Deus e ao meu abençoado nariz .


Para o atual momento não quero nenhum cheiro especial, pelo menos enquanto não mudar a maré.


Sentido Leste:

Sempre gostei de arte em geral, já visitei vários museus, pinacotecas e afins, mas nunca fui expert em nenhum gênero nem estilo, tirando uma ou outra obra e claro, a "La Gioconda" de Da Vinci, nunca associei obra ao artista, porém outro dia passando pelo corredor de uma estação de metrô em São Paulo reparei em uns painéis com fotos de algumas obras de arte, uma foto chamou bastante minha atenção, mas devido ao relógio, segui meu rumo pensando “conheço esse estilo... perai, perai... já sei parece obra de Korin Ogata!”. No final da semana voltei para “casa” e passei pelo mesmo corredor e confirmei meu novo “conhecimento artístico”, lá estava uma pequena foto de uma das obras do pintor japonês do século XVI com suas linhas belas e suaves. Pois é, mesmo depois de um ano parece que a visita ao MOA ficou gravada na memória e na alma.

Enfim, para tudo que valha a pena ter sentido , "basta" ser verdadeiro, bom e belo!