segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Vento no Litoral

Minha avó materna tem uma casa no litoral paulista que já foi de veraneio, já foi residência fixa do Arlindão e sua “namorada” Maria José, voltou a ser casa de veraneio e ultimamente nem minha avó e nem ninguém tem freqüentado muito.

Não depende só da vontade de ir ou não ir.

Para uns falta tempo, para outros disposição, grana, meios, etc, etc... então a casa de Peruíbe passa a maior parte do ano fechada.

Particularmente não sou fã de praia, mas tenho uma vida nesta casa - na infância toda, passei minhas férias e todos os feriados lá, na adolescência idem, no começo da vida adulta muita bagunça com os amigos. Nos últimos anos, só apareci mesmo nas festas de final/início de ano e em alguns poucos feriados prolongados. Em 2008 mesmo estando a maior parte do tempo na baixada santista, não fui nenhuma vez para a casa da Avó Maria José.

O resto da família também não apareceu muito por lá...

Depois de semanas, o clã Custódio conseguiu conciliar uma data: último fim de semana de setembro. Objetivo: abrir a casa e fazer faxina!

Sexta-feira passada, a caminho da antiga Aldeia dos Índios Peroibe, eu comentei com minha avó que desde o Natal eu não ia para lá... Disse também que estava pensando num quadrinho que eu havia ganhado na véspera da última viagem e que eu havia deixado na parede do quarto: “Coitado do quadrinho, com o quarto fechado todo esse tempo, as traças e os cupins devem ter acabado com ele, afinal era feito de papel...”. Foi só um comentário do tipo:
“será que vai chover?”.

Chegamos tarde da noite debaixo do maior temporal dos últimos tempos.

A casa estava suja de abandono, assim que entrei no meu quarto tomei o maior susto, pela primeira vez na vida a janela estava escancarada, tanto à parte de madeira de fora, quanto à de dentro de vidro. Santa terra do vento!

Uma parte do quarto estava molhada por causa da janela aberta. O quarto todo estava empoeirado, em alguns pontos tinha montinhos de pó da madeira feitos pelos cupins, algumas teias de aranha, algumas traças, farelos da tinta gasta da parede... enfim, um quarto próprio da família Monstro!

Para minha surpresa, o quadrinho na parede ao lado da janela rebelde estava intacto. Sem um miligrama de poeira! Sem qualquer desgaste. Mistériooo!

Limpei tudo, mas fui dormir no quarto ao lado, mais espaçoso e com um colchão de casal novinho na cama do “vizinho”.

O barulho da chuva estava tão alto, que passei a noite em claro. Levantei, peguei o quadrinho e fiquei pensando na ocasião em que o ganhei...

Título: Nobre aspiração
Técnica: guardanapo de papel
Ano: 2007
Comentário do colecionador: hahaha

Ganhei-o no JC Campo Belo logo após o Culto do Natalício de Meishu-Sama, de lá fui para uma festa de confraternização e depois como fui viajar direto coloquei-o na mochila e não o trouxe de volta para São Paulo.

Na ocasião, estava com a cabeça cheia, mas meu coração estava alegre, agradecido e sutilmente apaixonado.

Passei 10 noites fitando a parede, olhando “aquilo” que eu não sabia se era um ideograma ou o quê e nem o que ele significava. Seria paz? Coragem? Felicidade? Força? “Hum, acho que esta faltando um pedaço...”.

De qualquer forma, eu estava ali com um sentimento embuido de fé e esperança, além de bem querer e fantasias meio-nipônicas...

Tal aspiração deve ter criado uma camada protetora invisível na “obra de arte”! rs

...

Sábado meus irmãos e respectivos chegaram cedo. Logo estávamos reunidos para colocar a casa em ordem. Manhã: parte do fundo. Pausa para almoço da mama. Tarde: parte da frente, ao som de
The Go-Betweens. Trabalho em equipe, com revezamento (principalmente para pegar a cerveja).

À noite: pizzas caseiras da nona, mais chuvas torrenciais, cervejas, espanhola, rock and roll, papo-furado e cama antes da meia-noite!

Voltei para meu velho quarto.

Troquei o quadro da parede, mas talvez pelo efeito do vinho vagabundo (e delicioso) lembrei da sensação de nove meses atrás... uiui. "Aonde está você agora, além de aqui dentro de mim..."

Domingo sem chuva, sol tímido e muito vento. Todos babando na Bia. O dia foi tranqüilo. Graças a Deus!

Algumas imagens (toscas)
aqui para posterioridade.

PS: A última vez que nos reunimos sem ser data especial, foi em 2000 para minha despedida antes de ir passar uma chuva na Inglaterra, nenhuma foto deste encontro, uma pena! Agora, espero ter a permissão de estar em companhia da família e de quem mais vier, na casa de Peruíbe num fim de semana “qualquer” antes de 2016!

O final de semana só não foi perfeito, pois quando chegamos em casa recebemos a triste noticia de que um vizinho falecerá subitamente, era um jovem pai de família. Fomos a Guarulhos ontem à noite para o velório, muito triste mesmo...

"E quando vejo o mar

Existe algo que diz

Que a vida continua

E se entregar, é uma bobagem..." - RR