No final de 2006 passei por um momento bem conturbado na minha vida profissional e pessoal. E para “ajudar”, fiquei tão desnorteada que só descobri depois de três dias que um cartão de crédito meu havia sumido de minha carteira junto com meu R.G. e nesse meio tempo alguém fez a festa com meu Mastercard, literalmente, pois as despesas pagas com meu cartão seguiam um roteiro de bares e baladas de um bairro bacanudo de São Paulo, mas o (a) estelionatário (a) não foi só boêmio, como foi também “bem bonzinho” fazendo uma compra nas Lojas Americanas em suaves prestações a perder de vista. Fiz um B.O. assim que possível, mas como eu não percebi na hora o sumiço do cartão e como não tinha o seguro contra roubo e furto, fui orientada pelo banco a pagar as despesas e entrei num longo processo de contestação de dívida. Em fevereiro de 2007 aparentemente tudo foi resolvido e o Itaú até creditou em minha conta os valores pagos até então, porém no mês de maio recebi uma nova cobrança das mesmas despesas, inclusive das parcelas futuras das Lojas Americanas, como eu estava nas vésperas de embarcar para o Japão, entrei com um novo pedido de contestação de dívidas e dessa vez fui orientada pelo funcionário de minha agência bancária a não pagar nada até o pedido ser analisado e deferido. Desapeguei do problema por um mês. Em julho fui atrás da administradora do cartão e ouvi um sonoro e radical “não”, meu pedido havia sido indeferido. Como voltei de viagem sem um real, dólar ou iene furado e com um monte de contas para pagar, não me mexi. Em agosto a bola de neve já tentava me atropelar. Eu tinha muita raiva no coração por ter sido vitima de conduta criminosa e ainda sim ter que pagar o pato, no caso, a fatura do cartão de crédito. Não conseguia sair do negativo, tanto do pensamento, quanto do saldo bancário. Até que num belo dia lembrei de uma palestra que assisti no Centro de Aprimoramento Vila Mariana – o ministro palestrante orientou os Johvens sobre “Como transformar o negativo em positivo através da Prática do Sonen” e ainda citou uma parábola sobre o copo de água que é mais ou menos assim:
“Um conferencista levantou um copo com água e perguntou à platéia:
- Quanto vocês acham que pesa este copo d'água?
As respostas variaram entre 20 g e 500 g.
O conferencista, então, comentou:
- Não importa o peso absoluto. Depende de quanto tempo vou segurá-lo.
Se o seguro por um minuto, tudo bem.
Se o seguro durante uma hora terei dor no braço.
Se o seguro durante um dia inteiro, você terá que chamar uma ambulância para mim.
O peso é exatamente o mesmo, mas quanto mais tempo passo segurando-o, mais pesado vai ficando.
- Se carregamos nossos pesos o tempo todo mais cedo ou mais tarde, nós não seremos mais capazes de continuar, pois a carga vai se tornando cada vez mais pesada.
É preciso largar o copo e descansar um pouco antes de segurá-lo novamente.
Temos que deixar a carga de lado, periodicamente.
Isto alivia e nos torna capazes de continuar...”
Pois bem, coloquei a prática do pensamento em ação, soltei o copo (confesso que meio resignada) e comecei a pagar todas as farras, as bebidas e seja lá o que for que custou tão caro, da partícula divina que foi utilizada para eu passar por essa purificação. Bem, a administradora não mudou de posição e eu continuei pagando mês a mês a fatura. Acontece que hoje depois de mais de um ano, eu ainda estou com uma montanha de contas para pagar, mas agora pouco liquidei a última gota deste copo específico, paguei a última parcela da divida deste cartão de crédito. Sem raiva e sem rancor.
Do Itaú espero liquidar uma outra conta para dizer “adeus, mas você não foi feito para mim”.
Da Mastercard quero só me divertir com os anúncios das campanhas “Não tem preço”.
Dos meus outros cartões, estão todos bem guardados e segurados.
Das minhas finanças estou buscando equilibrar a balança: débitos e créditos, passivos e ativos, dívidas e merecimentos espirituais e materiais, etc... ainda tenho muito que purificar e aprimorar!
Do mais, estou com mais um copo disponível para enche-lo de alegria e fazer tin-tin a felicidade!